o momento

A Betina me deu um espelhinho pra ver o Guido saindo. Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que joguei o espelho longe (e não quebrou!) e pensei comigo: pronto! Superei meu medo. O resto deixa comigo que eu sei como fazer!

Foi o tempo do Gê ligar pro pediatra neonatal. Quando vi que o Guido ia nascer e ele estava na sala (por causa do sinal do celular) soltei um baita berro que ajudou o bebê a descer mais ainda (momento comédia)! Ele voltou correndo, largou o celular no chão e ainda conseguiu clicar umas fotos. Mas o melhor era ver ao vivo!

E tudo foi muito rápido! Depois de mais uns dois empurrões, eu mesma peguei o Guido nas mãos, desenrolei o cordão e depois de 3 ou 4 segundos de silêncio, ele berrou bem alto e forte pra que o mundo todo escutasse sua chegada.

Não dá pra dizer o que senti naquele momento, com a consciência alterada de tão lúcida e a alma completamente lavada de amor e de alegria. Após 28 horas de trabalho de parto vivido, nascia junto com a manhã um bebê forte e saudável de 3kg e 50 cm e uma mãe e um pai completamente perplexos diante do mistério ancestral de lamber a própria cria.

Depois chegou o Cacá e ajudou o Gê a cortar o cordão umbilical que ficou ainda um tempão ligando a gente. Guido tomou seu primeiro banho de balde enrolado numa fralda de pano e depois de pesado e medido, o Cacá entregou prá gente o “bebê charutinho”, enrolado só num cueiro de flanela. Simples assim.

Betina e Cacá se foram e ficamos os três quietinhos na nossa cama, naquele calor do afeto que começávamos a descobrir juntos e que hoje se reforça a cada dia. Podemos dizer que nossa família começou na realização do desejo lindo de um parto natural, que tivemos o privilégio de viver.

Quando contamos sobre o parto domiciliar, alguns ficaram horrorizados, outros surpresos e outros orgulhosos e encorajados, cada um segundo sua própria história de vida, suas crenças e valores.O importante para nós foi poder escolher com consciencia e sem riscos. Tomara que mais pessoas comecem a se dar conta de que a indústria da cesareana é apenas mais uma maneiras de enquadrar nossos instintos e sentimentos, transformando um processo fisiológico íntimo em atividade lucrativa, segundo a lógica da produção em série. É também um desrespeito ao corpo e a integridade psíquica da mulher que acuada e sem informações seguras, deixa de acreditar em seu potencial e desiste de parir.

Uma maneira muito feliz de mudar o mundo é começar pelo respeito ao outro ser humano desde a hora em que ele nasce. Afinal, “gentileza gera gentileza” e isso eu fiz questão de oferecer ao Guido como primeiro presente.

Um comentário:

  1. Fafi!!! voce é linda!!! familinha toda linda! Pensei tanto em vc na hora de meu raul nascer! Ainda bem que tive o privilegio de te conhecer na casa da Jo aquele dia! mesmo te vendo pouco, guardo por vc um afeto enorme! beijos e de chorar de tanta emocao o relato de parto de seu Pequeninão!

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